Emigrantes portugueses em França votaram extrema-direita

Estou triste com a maioria dos emigrantes portugueses em França. penso que uma grande parte votou extrema-direita, como anteriormente tinha votado Sarkosy.


Em matéria de política, só conseguem ver com um olho, bastou a Srª Le Pen dizer bem deles e mal de todos os outros, para votarem nela.

A solidariedade destes emigrantes portugueses com os outros emigrantes, magrebinos ou não, foi toda para o brejo. Tornaram-se racistas, acontecendo o mesmo na América Latina.

Julgam-se superiores aos outros e adoptam as atitudes dos patrões e dos indígenas.

Não conseguem fazer um inventário de perdas e projectar a sua análise num futuro, ser solidários com outros companheiros emigrantes e perceberem que são já uma força em qualquer eleição que pode mudar o resultado. Acabam por ser cobardes com estas atitudes.

Muitos deles foram "a salto" para França, viveram em locais miseráveis, os bidonville de Paris por exemplo, nos anos 70.

Nos anos 50/60/70 viveram em bairros de lata, muitos deles. Em 1967 em Champigny (bairro de lata) residiam 14.025 portugueses. Daqui eram distribuídos trabalhadores para toda a França, até se chamava a capital dos portugueses em França.

Nanterre, Courneuve, S. Dinis ainda hoje existem e são conhecidos, mas mesmo assim milhares de portugueses continuam bem integrados na sociedade francesa, tendo até uma crescente influência política, ao ponto de todos os candidatos às eleições presedenciais seduzirem os nossos emigrantes para neles votarem. Mas a maioria cultiva uma espécie de "Arte de Não Saber", que provém duma decisão, quase apriorística, ditada por uma visão ególatra e egocêntrica do mundo e da sociedade.

Os 20% de votos na extrema-direita e que podem decidir do futuro da França e até mesmo da Europa tem uma assinatura portuguesa.

Trata-se de gente trabalhadora, que passou as passas do Algarve, como se costuma dizer na minha terra, integrados na sociedade francesa, com os seus pequenos negócios e que talvez por isso, já se julgam chefes do mundo e que não lhes passa pela cabeça sequer, serem um público de borregos amestrados que mal os políticos franceses estalam os polegares a engraxá-los, a aplaudi-los, eles se desfazem na exaltação desses modelos culturais e políticas que não são as suas, esquecendo que os outros emigrantes, sejam eles oriundos de África ou da Europa do Leste possuam as mesmas histórias que a sua.

Não percebem que continuam a ser carne para canhão e que são jogados como bolas de ping-pong por imperiosa necessidade dos pontos de vista ideológicos, reflexo dos grupos económicos a que pertencem ou são simpatizantes os diversos candidatos.

São dóceis e cúmplices perante os poderes nem que esses poderes sejam racistas e xénofos, pensam sempre que não é deles que se trata, mas dos outros.

Intoxicados pelos canais televisivos que programam concursos como "quem pensa...perde" e como, os rádios e as televisões pertencem às mesmas empresas e dizem as mesmas coisas e repetem vezes sem conta, passam a ser aceites essas notícias como "aquilo que se sabe", ou "o que devo saber" que não é o mesmo, mas é igual.

São assim a maioria dos emigrantes portugueses em França, que individualmente até são boas pessoas e capazes de socorrer o vizinho que pode ser magrebino ou ÁRABE, vindo da Turquia ou de qualquer outro lado.

Fonte: Cabidedesimplicidades.blogspot.pt (2012)

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