loading...

Os portugueses gostam de se armar em coitadinhos e de ser enganados

Axioma – s.m. Princípio evidente por si mesmo.

(Dedicado a todos os portugueses que são a excepção a estes axiomas)

Este post pretende reflectir acerca do facto de Nós, os Portugueses (eu incluída) de gostamos nos armar em coitadinhos e de ser enganados. Assumir a responsabilidade por algo que corre mal e mudar de direção não é connosco. Pedir responsabilidades a quem nos engana também não. É sempre mais fácil arranjar alguém em quem meter toda a culpa do que corre mal, e deixar os outros (sobretudo os verdadeiros responsáveis pelo que corre mal) lavarem mais branco. Afinal, existe sempre alguém para culpar: o Estado, os políticos, os funcionários públicos, os pais, os professores… É isso que queremos para nós…

– O português é corrupto. Tem inveja do político corrupto porque queria estar no lugar dele.

– O português diz-se apolítico porque tem medo de assumir que apenas aprecia aqueles que ganham as eleições. De vez em quanto gosta de defender o fim dos partidos, que é, portanto, uma forma boazinha de apelar à ditadura.

– O português antes prefere viver numa paz podre que numa guerra declarada. Viver numa guerra declarada implicaria ter de tomar decisões e correr riscos (das coisas correm bem ou mal), mas isso é demais para qualquer português.

– O português vive anestesiado pelo emprego, pelo desemprego, pela doença, a saúde, pela religião, pela televisão, pelo futebol, pelos amigos ou pela família. Mas não interessa: para o português deixar de estar anestesiado é que é mau.

– O português consegue eleger governos corruptos uns atrás dos outros e adora que qualquer governo culpe de tudo o governo anterior. Trata-se do “canto do cisne” da credibilidade.

– O português adora ser traído pelos seus políticos e depois chamá-los de traidores (e depois não fazer mais nada, porque somos de “brandos costumes”). Culpa o político porque é incapaz de se culpar a si mesmo por o ter eleito. E é incapaz de pedir a sua demissão (salvo raras excepções): muitas vezes até volta a votar nele.

– O português tem memória muito curta: lembrar-se do que comeu ontem é bom.

– O português pensa que só ele, e apenas ele, trabalha muito. Os restantes portugueses que vivem em Portugal são todos uns porcos ociosos. (Segundo esta corrente de opinião apenas os portugueses que vivem no estrangeiro trabalham).

– Estando ocioso, o português ocupa o seu tempo com falsos moralismos sobre a vida alheia. Também gosta de censurar de forma “branda” os costumes e leituras do próximo.

– Existem gurus portugueses que dizem que a história, a filosofia, a economia & outras disciplinas não servem para nada porque não criam emprego. O português adora ouvir isso. A ideia de querer saber coisas, de se querer informar, de querer assumir responsabilidades e reivindicar direitos enoja-o. Por isso, os portugueses cultivam a ingnorância e a vaidade.

– Os portugueses adoram que um ou mais do que um estrangeiro venha pregar à nossa madre terra o que devemos ou não saber, pensar, sentir, comprar, vender, fazer sexo, etc. Os políticos não são exceção: também gostam de ser mandados por potências estrangeiras. Desde o nascimento de Portugal, com exceção de Afonso Henriques e de João I, todos – reis, políticos, gestores públicos ou privados – sempre gostaram de ser mandados pela Espanha, pela Inglaterra, pela França, pela Alemanha, pelos Estados Unidos ou pelo papa. Ou por todos ao mesmo tempo.

– O português gosta de ser enganado, e deixa isso acontecer desde que Portugal se um país tornou independente. Deixa-se por isso uma brevíssima lista de gente que enganou os portugueses (1): João III de Portugal, João VI de Portugal e António de Oliveira Salazar, entre outros.

(1) Por uma questão de falta de espaço a lista limita-se apenas a três gurus.

Última Actualização: 08/05/2013

Fonte: Sabine77.wordpress.com

Siga-nos por email

Subscreva:

Desenvolvido por FeedBurner

loading...