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Começa a caça aos imigrantes em Londres

Uma operação da polícia britânica na cadeia de hamburguerias Byron, em Londres, deteve dezenas de funcionários imigrantes vindos do Brasil, Nepal, Egito e Albânia. Segundo um jornal londrino de língua espanhola, que ouviu uma testemunha, eles foram deportados no mesmo dia. A rede britânica é alvo de uma campanha de boicote nas redes sociais, acusada de ter armado para os trabalhadores.

Fonte: G1.Globo.com
O ministério do Interior britânico confirmou nesta quinta-feira (28) que 35 pessoas desses países foram detidas em 4 de julho por violações das leis de imigração em operações realizadas "com base em informações de inteligência" em várias lanchonetes Byron, de acordo com a agência France Presse.

Segundo o jornal "The Guardian", as batidas policiais foram realizadas durante sessões de treinamento sobre questões de segurança sanitária convocadas pela empresa.

"É revoltante. Algumas pessoas trabalhavam aqui há quatro ou cinco anos e não puderam sequer se despedir", declarou ao jornal um funcionário da empresa, que pediu anonimato.

Outro funcionário citado pelo jornal londrino de língua espanhola "El Ibérico", que revelou o caso, disse que as operações foram realizadas em 15 restaurantes da rede na capital britânica e que "150 [funcionários] conseguiram escapar dos controles e atualmente estão escondidos".

Este funcionário também afirmou que os funcionários da unidade em que trabalha foram convocados para um treinamento profissional e que, na hora marcada, agentes da polícia de imigração apareceram no local e começaram a entrevistar alguns funcionários em outra sala. Segundo seu relato, uma funcionária da lanchonete teria revelado que aquilo não era um treinamento, e que a polícia foi chamada porque sabiam que havia imigrantes ilegais entre os funcionários.

O ministério do Interior explicou que a operação contou com "a plena cooperação do grupo", mas recusou-se a confirmar que tenha se tratado de uma armadilha.

A Byron também confirmou as operações, mas não respondeu às alegações de enganou seus funcionários. Disse que a operação resultou na remoção de funcionários suspeitos de "não ter direito de trabalhar no Reino Unido, e de possuir documentos falsos pessoais e de trabalho que violam a regulação de imigração e emprego".

"Temos orgulho da diversidade de nossas equipes, formadas por pessoas de todas as origens", declarou o grupo, ressaltando que a empresa faz a checagem dos documentos necessários dos funcionários, mas que lhe foram apresentados documentos falsificados.

Campanha de boicote
O assunto ganhou as redes sociais, com uma chamada no Twitter - com a hashtag #boycottbyron - ao boicote de restaurantes Byron, acusada de ter armado para deter os funcionários.

Vários grupos de apoio aos migrantes convocaram no Facebook um protesto na segunda-feira em frente à lanchonete Byron em Holborn, no centro de Londres.

"O que #Byronburgers fez me dá enjoos! Eu não acho que voltarei lá por um tempo", tuitou @EpiphannieA.

Outro internauta, @1markpullen, justificou a suposta colaboração com a polícia, alegando que "não é justo que existam pessoas que ignoram a lei e trabalham ilegalmente".

O funcionário citado pelo "El Ibérico" disse que no dia da ação os funcionários decidiram não trabalhar em solidariedade com os que foram expulsos.

"Na noite de 4 de julho, eles foram deportados para seus países sem nada. Os chefes sabiam da situação dessas pessoas. Eles trabalham duro e não dizem nada. Se têm que trabalhar 60 horas por semana, trabalham e não dizem nada. Os responsáveis da empresa sabem disso e por isso contratam essas pessoas ", disse ele.

Fonte: G1.Globo.com

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