Dono da Padaria Portuguesa quer maior flexibilização da contratação, do despedimento e do horário extra de trabalho

Um dos donos da Padaria Portuguesa foi questionado em directo acerca do salário mínimo e da votação da Taxa Social Única, que decorreu esta tarde no Parlamento. 

À SIC, Nuno Carvalho, sócio-gerente da empresa, indicou que 25% dos seus colaboradores recebem o salário mínimo "em regime de transição" e defendeu a maior "flexibilização da contratação, do despedimento e do horário extra de trabalho". As declarações foram criticadas por Daniel Oliveira no Facebook e a partir daí, o vídeo tem sido muito discutido nas redes sociais.

Foto: Dinheiro Vivo
"Há imensas coisas que são pesadíssimas para as organizações na área dos serviços, como a nossa, que não nos servem. Estamos permanentemente a ter de fazer uma ginástica para dar uma resposta ao que é o mercado de trabalho hoje, e não é aquilo que foi há muitos anos. É o entendimento entre o que a entidade patronal decide e os colaboradores também necessitam", defendeu Carvalho, preferindo a adopção de medidas mais estruturais.

"Esse entendimento também é tácito hoje, não deve estar fechado a 40 horas semanais só porque a lei o diz, em que tem de se pagar horas extra com volumes consideráveis de acréscimo em matéria de custo com o pessoal que penalizam as organizações, e portanto estaríamos interessados em medidas estruturais e não temporárias que nos resolvessem estes problemas e que nos permitissem, enquanto organização, ter mais produtividade e remunerar os colaboradores por isso. Acho que não há nenhuma entidade patronal interessada em pagar o salário mínimo", continuou.

Apesar dos 25% dos funcionários receberem o salário mínimo nacional (€557), a partir da actualização este ano, o sócio-gerente da Padaria Portuguesa indicou que existe uma "remuneração variável que permite a todos os colaboradores receberem mais" que esse valor.

Daniel Oliveira criticou esta percentagem. "Note-se que 25% da massa salarial implica uma percentagem absurda de trabalhadores (perdão, "colaboradores") com salários abaixo de 557 euros (perdão, em "regime de transição"). De tal forma alta que o sócio-gerente da Padaria Portuguesa preferiu dizer a percentagem da massa salarial do que responder à pergunta que lhe foi feita, contando, com razão, com a desatenção da jornalista", apontou. 

"Não me espanta que quem baseie o seu negócio nos salários baixos considere que a grande prioridade dos portugueses não é o aumento do salário mínimo (que só interessa aos políticos, claro), mas a liberalização dos despedimentos, o fim dos limites legais ao horário de trabalho e uma redução considerável do pagamento de horas extra, não penalizando as empresas que contratam menos trabalhadores do que aqueles que necessitam para funcionar. Um País desigual é isto: cada um vive na sua bolha e, quando fala para a televisão, julga que quem o está a ouvir partilha as suas prioridades."

No post do Facebook, houve quem defendesse Nuno Carvalho. "Você, provavelmente nunca empregou ninguém e não sabe a quantidade de postos de trabalho que não se criam devido à rigidez da legislação laboral nem a quantidade de trabalhadores que não são devidamente compensados hoje para evitar custos amanhã", escreveu Luís Paulo Pinto. Em resposta, Daniel Oliveira salientou que não percebe "porque é que, depois de várias alterações laborais para facilitar o despedimento, isso nunca teve o efeito prometido na criação de emprego". "Só o tornou mais precário", conclui.

Na página de Facebook d'A Padaria Portuguesa, também estão algumas críticas. "A pagarem ordenados de caca e a querem escravidão como política laboral, acho que sim. 50 lojas a assinalar o obscurantismo", escreveu Inês de Limão. Outros utilizadores criticaram as declarações no vídeo.

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