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Muçulmanos da Turquia, Arábia Saudita e Egito podem entrar nos EUA, porquê?

Magnata americano quer os muçulmanos fora dos Estados Unidos, mas tem um segredo que o compromete.

Síria, Irão, Sudão, Líbia, Somália, Iémen e Iraque. Cidadãos destes sete países, de maioria muçulmana, não podem pisar “temporariamente” os Estados Unidos. Mas a Turquia, Arábia Saudita e Egito, também países de maioria muçulmana, estão fora da lista de restrição.

Foto: Portal N10
Nenhum dos países abrangidos pela ordem executiva de Donald Trump tem feito negócios ou espera fechar potenciais contratos com a Organização Trump, avança a Bloomberg. Contudo, três países, com os quais a empresa fundada pelo magnata americano tem ligações, não estão implicados nas consequências da medida (ver infografia em baixo).

A Bloomberg enuncia que a Organização Trump tem um licenciamento para duas torres de luxo, uma de utilização comercial, outra de utilização residencial, na Turquia. O negócio rendeu às contas da Organização cinco milhões de dólares no ano passado.

Já na Arábia Saudita, detém vários projetos em Jeddha, a segunda maior cidade da Arábia Saudita: DT Jeddah Technical Services Manager LLC, DT Jeddah Technical Services Manager Member Corp., THC Jeddah Hotel Manager LLC e THC Jeddah Hotel Manager Member Corp.

Por fim, no Egipto existem duas empresas do magnata americano: a Trump Marks Egito e a Trump Marks Egypt LLC.

A Organização Trump tem interesses comerciais em cerca de 20 países. Embora tenha anunciado a passagem da presidência para os filhos, no primeiro discurso enquanto presidente eleito dos Estados Unidos, um grupo de advogados apresentou uma queixa contra Donald Trump, acusando-o de violar a Constituição por ter “incontáveis conflitos de interesses” e “uma influência sem precedentes por parte de Governos estrangeiros” devido às propriedades imobiliárias que detém, o que constitui “uma grave ameaça” para os Estados Unidos.

Restrição continua até haver “mudanças suficientes”:

No dia em que fez uma semana que tomou posse, sexta-feira passada, o Presidente norte-americano lançou a escada para a execução do que considera serem medidas que ajudariam a proteger os americanos de ataques terroristas.

“Estou a estabelecer novas medidas de seleção para manter os terroristas islâmicos radicais fora dos Estados Unidos da América. Não os quero aqui”, disse Trump no início de sexta-feira, no Pentágono, citado pela Reuters.

A ordem executiva assinada pelo líder americano suspende por quatro meses o programa de entrada de refugiados sírios nos EUA, até que “mudanças suficientes” tenham sido efetuadas, sem adiantar mais pormenores. Impede, ainda, a entrada de estrangeiros de determinados países por 90 dias. Embora nenhum país seja nomeado especificamente, na ordem é salientado um estatuto que se aplicaria aos sete países de maioria muçulmana.

A suspensão temporária da emissão de vistos pretende permitir que o Uncle Sam determine como se vai processar a informação entre os países visados, de modo a evitar que sejam concedidos vistos a indivíduos que possam representar uma ameaça à segurança americana.

Multiplicam-se as críticas:

O Irão já reagiu e como retaliação vai proibir a entrada de norte-americanos no seu território. O ministro dos Negócios Estrangeiros iraniano, Mohamad Javad Zarif, classificou a decisão de Trump como “ilegal, ilógica e contrária às regras internacionais”, numa intervenção transmitida pela televisão pública do Irão, e advertiu que a decisão iraniana se manterá enquanto a medida dos EUA estiver em vigor.

Anteriormente, o Presidente do Irão, Hassan Rouhani, ainda que não fazendo menção direta ao homólogo norte-americano, disse que “hoje não é o momento de erguer muros entre as nações, eles esqueceram-se que o muro de Berlim caiu há anos”.

França e Alemanha também expressaram preocupação sobre as novas restrições norte-americanas. “Acolher os refugiados que fogem da guerra e da opressão faz parte do nosso dever”, disse o ministro francês dos Negócios Estrangeiros, Jean-Marc Ayrault, numa entrevista coletiva com o ministro da mesma pasta alemã, Sigmar Gabriel.

“Os Estados Unidos são um país onde as tradições cristãs têm um significado importante: amar o próximo é um grande valor cristão, e isso inclui ajudar as pessoas”, comentou Gabriel.

A medida está a ser colocada em prática. Sucedem-se os exemplos dos cinco passageiros iraquianos e um iemenita impedidos de embarcar num voo do Cairo para Nova Iorque, no sábado, tendo sido reorientados para voos direcionados para os países de origem, apesar de serem portadores de vistos válidos, avançou a Reuters.

Cidadãos dos países em causa, residentes legais permanentes nos EUA estão a ser aconselhados a consultar advogados de imigração em caso de viagem para fora do país, explicou um grupo de direitos civis em Washington, o Muslim Advocates à agência Reuters.

“Esta política não nos torna mais seguros, mostra fraqueza e retira a nossa nação da posição de líder global quando tantos refugiados precisam urgentemente de proteção”, defendeu Greg Chen, da American Immigration Lawyers Association.

“O presidente Trump encobriu o que é uma proibição discriminatória contra cidadãos de países muçulmanos sob a bandeira da segurança nacional”, acrescentou ainda.

Por sua vez, a Conselheira Sénior do Presidente americano, Kellyanne Conway, apoiou-o através do Twitter: “o @POTUS é um homem de ação e impacto, promessas feitas, promessas mantidas, choque no sistema, e ele está apenas a começar”.

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