ANGOLA - Vice-Presidente pediu ao BCP para contratar procurador e arquivar processos

Sonangol pressionou BCP para contratar procurador próximo de Manuel Vicente.

Ministério Público português diz que essa foi a contrapartida para Orlando Figueira arquivar dois processos contra o “vice” angolano. BCP desmente pressões e garante que “Sonangol sempre foi impecável na sua actuação”.

Foto: Rede Angola
Os accionistas da Sonangol terão pressionado o Millennium BCP a dar trabalho ao ex-procurador português Orlando Figueira como contrapartida para o antigo magistrado arquivar dois inquéritos contra o vice-presidente angolano.

Na altura dos acontecimentos, a Sonangol era presidida por Manuel Vicente e tinha posição maioritária no BCP.

Esta é a tese defendida pelo Ministério Público português, num despacho citado pelo jornal Público, que recentemente acusou Manuel Vicente e Orlando Figueira pelos crimes de corrupção, branqueamento de capitais e falsificação de documentos.

De acordo com o jornal português, foi em 2012 que a petrolífera nacional terá pressionado a comissão executiva do BCP para contratar Orlando Figueira. Este deixou o cargo de procurador em Setembro desse ano e, dois meses depois, integrou os quadros do banco.

Esta versão, contudo, é desmentida pelo próprio BCP. Altos quadros da instituição, citados pelo Público, garantem que a comissão executiva nunca recebeu indicações dos seus accionistas para recrutar quadros ou prestadores de serviços para o banco, acrescentando que “a Sonangol sempre foi impecável na sua actuação”.

Desta forma, continua o jornal luso, a contratação de Orlando Figueira deveu-se apenas à necessidade de substituir um quadro do banco que tinha falecido.

O ex-procurador português desempenhou durante pouco mais de três anos as funções de consultor externo para o departamento de compliance, cujo objectivo é fazer cumprir as boas práticas e prevenir o branqueamento de capitais e o financiamento terrorismo.

Branqueamento de capitais é precisamente um dos crimes imputados a Orlando Figueira, que terá recebido dinheiro do dirigente angolano para alegadamente arquivar um processo ligado à compra de um apartamento no Estoril, Portugal, entre 2011 e 2012. Uma dessas transacções chamou a atenção das autoridades portuguesas, dando início à Operação Fizz.

As investigações foram concluídas na semana passada, com Manuel Vicente a ser acusado de pagar EUR 760 mil ao procurador português para obter decisões favoráveis em processos judiciais.

Fonte: Rede Angola

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