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REVELAÇÕES - Cavaco Silva desconfiava de José Sócrates

No livro de memórias que lança esta quinta-feira, o ex-presidente da República relata as reuniões semanais com o então primeiro-ministro, compara-o com os encontros com Passos e explica a sua "recusa à política-espectáculo tão cara a muitos políticos"

Foto: SOL
"Quinta-feira e outros dias" é o livro que Aníbal Cavaco Silva lança na próxima quinta-feira, com o objectivo de "completar a prestação de contas aos portugueses" e revelar factos "desconhecidos dos cidadãos". As quintas-feiras eram tradicionalmente os dias em que o ex-Presidente da República se encontrava com o primeiro-ministro em funções, primeiro José Sócrates e depois Pedro passos Coelho. E no livro, o antigo chefe de Estado revela detalhes desses encontros. "O que aqui se relata corresponde fielmente àquilo que nessas reuniões se passou", diz no capítulo 1 da segunda parte da obra, um dos dois hoje pré-publicados no Expresso.

Nesta pequena mostra da obra, Cavaco descreve as reuniões com José Sócrates como encontros em que "o diálogo era vivo e intenso e facilmente se prolongava por mais de uma hora", ao contrário dos encontros que teve com Mário Soares quando este era presidente e ele o primeiro-ministro que "eram geralmente breves e sonolentos".

Conta que Sócrates se apresentava preparado para as reuniões, tomava a iniciativa das conversas e nos primeiros anos foram muitas as vezes em que começava por dizer que tinha boas notícias para dar. "Demorou pouco tempo até eu perceber que se tratava de uma tática de abertura de diálogo. Frequentemente, as palavras não se conformavam à realidade dos factos e passei a olhar desconfiado para as 'boas notícias' do primeiro-ministro", escreve Cavaco Silva.

Passos Coelho, que sucedeu a Sócrates, tinha outra postura: "apresentava-se geralmente sem uma preparação específica para as reuniões" e na maioria das vezes esperava que fosse Cavaco a lançar os temas. Além disso, "tinha tendência para se alargar nas respostas", e "quando não tinha conhecimento completo do assunto dizia-o abertamente". O líder do PSD era pontual, ao contrário de Sócrates. "Uma vez abusou do atraso sem ter avisado previamente a Presidência da República e pedi que o informassem de que já não o receberia", conta.

No outro capítulo pré.publicado pelo Expresso, o 14.º da primeira parte, o antigo chefe de Estado faz um balanço dos seus tempos na Presidência. "Cheguei pessoalmente realizado ao fim dos meus dois mandatos", diz. A certa altura explica que teria sido um presidente diferente se uma série de circunstâncias tivessem sido outras, entre elas se não tivesse chegado àquela posição já saturado do plano mediático. É isso que justifica o seu afastamento em relação à comunicação social e, num comentário que parece ser dirigido a Marcelo Rebelo de Sousa, "a recusa da política-espetáculo, tão cara a muitos políticos por proporcionar notícias e fotografias", mas que na sua opinião, "não traz qualquer benefício ao país".

O lançamento do livro está marcado para quinta-feira, às 18:30 no Centro Cultural de Belém, em Lisboa.

Fonte: DN

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