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Vítor Gaspar mentiu à comissão parlamentar do BES

Vítor Gaspar declarou, em resposta escrita à comissão parlamentar do BES, que só tomou conhecimento das dificuldades financeiras do GES no final de 2013. Nesta terça-feira, o presidente do BPI afirmou que falou com Vítor Gaspar (“ele era ministro das Finanças”) “em finais de Maio, princípios de Junho de 2013” sobre a “situação no GES e no BES”.

Foto: Dinheiro Vivo
O presidente do BPI, Fernando Ulrich, desmentiu na comissão parlamentar de inquérito ao BES Vítor Gaspar, antigo ministro das Finanças do Governo PSD/CDS-PP e atual diretor do FMI para a área dos assuntos orçamentais.

“Falei com Vítor Gaspar, não consigo precisar o dia, mas ele era ministro das Finanças. Foi em finais de maio, princípios de junho de 2013. Nessa conversa, um dos assuntos que referi foi a minha preocupação com a situação no GES e no BES”, afirmou Fernando Ulrich.

O presidente do BPI fez questão de sublinhar que estava a esclarecer as declarações de Gaspar à comissão de inquérito, lembrando que o ex-ministro das Finanças afirmou que, entre junho de 2011 e julho de 2013, nos contactos que teve com agentes do sector financeiro, não lhe foi transmitida qualquer preocupação com o BES ou o GES. “Eu considero-me agente do sector financeiro”, realçou Ulrich.

O presidente do BPI disse ainda: “Vítor Gaspar atuou de imediato porque em menos de 24 horas fui contactado por um alto funcionário do Banco de Portugal, que me disse que o ministro levantou este assunto junto do governador e o governador instruiu-me para falar consigo. Fui ao Banco de Portugal e nessa conversa expliquei mais em detalhe as razões de ser das minhas preocupações em relação ao BES e ao GES”.

Ulrich diz que não sabe o que aconteceu depois, mas sublinhou ainda: “mas todas as partes envolvidas fizeram o que tinham a fazer. O ministro atuou porque contactou o Banco de Portugal e o Banco de Portugal atuou imediatamente".

Presidente do BPI também avisou a troika sobre os problemas no BES

O presidente do BPI discorda da adoção do Fundo de Resolução, considerando que a medida foi “irresponsável” e admitindo ter de acabar por concluir que as autoridades “decidiram jogar à roleta com o sistema financeiro português”. Ulrich critica Banco de Portugal, Governo e BCE, salientando: “Não consigo conceber que entidades responsáveis tenham tomado a decisão [do Fundo de Resolução] sem ter uma ideia do que isso poderia significar para os outros bancos".

Ulrich declarou ainda à comissão parlamentar que colocou à troika a questão do BES e relatou um episódio de setembro de 2013: “A pessoa da troika que conduzia à reunião queria que eu me calasse porque eu não estava ali para falar de outros bancos, estava ali para falar do BPI. Eu respondi: se eu não posso dizer o que quero dizer sobre o sistema financeiro, levanto-me já e vou-me embora", sublinhando que continuou "a dizer o que achava" que tinha que dizer.

Gaspar: “Ouvi falar de dificuldades financeiras idiossincráticas no GES no final de 2013”

Recorde-se que Vítor Gaspar declarou por escrito à comissão parlamentar de inquérito ao BES que só tinha tomado conhecimento das dificuldades financeiras do GES no final de 2013.

“Ouvi falar de dificuldades financeiras idiossincráticas no GES no final de 2013. Em termos concretos, soube, mais tarde, das implicações da exposição do BES ao GES pela imprensa especializada internacional”, escreveu Vítor Gaspar nas respostas à comissão parlamentar.

O “Dinheiro Vivo”, em 10 de março de 2015, noticia que Vítor Gaspar declarou à comissão parlamentar de inquérito que, no período em que foi ministro das Finanças, desconhecia qualquer tipo de problema no BES como no GES.

“Não tenho conhecimento de questões particulares relativas ao BES ou ao GES no período de junho de 2011 a junho de 2013”, referiu Vítor Gaspar nas respostas aos deputados.

E sublinhou mesmo que “não dispunha, em junho de 2013, informação específica e objetiva que indicasse vulnerabilidade específica do BES/GES”, o que nesta terça-feira foi desmentido por Fernando Ulrich.

Fonte: Esquerda

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