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Cidadã que doou aos pobres vive na miséria

Uma cidadã estrangeira que efectuou donativos em género às vítimas da aluvião de 20 de Fevereiro de 2010 e às famílias carenciadas vive hoje no limiar da pobreza, sem capacidade financeira para, por exemplo, mover uma acção de despejo aos inquilinos que lhe devem 2 anos e 2 meses de rendas.

Elly de Ronde Wijman, uma cidadã natural da Holanda, com 74 anos, inválida e doente, dependente de uma cadeira de rodas e de uma bolsa de colostomia, já bateu a muitas portas. Traz uma história ao DIÁRIO que nem parece deste mundo.


Há uns anos, doou mobiliário, eletrodomésticos e mantimentos suficientes para alimentar uma família durante 14 meses, após a aluvião de Fevereiro de 2010. Guarda com estima, o documento da Junta de Santa Maria Maior a agradecer a ajuda prestada às famílias carenciadas da freguesia. Hoje, vive em condições higieno-sanitárias sub-humanas e, dentro da sua própria casa a autoridade está prevertida. São os inquilinos quem manda. Já saquearam o recheio e os bens da idosa aproveitando-se da fragilidade física e da doença da mulher. É uma espécie de violência doméstica exercida contra a senhoria.

O marido era capitão da Marinha Mercante e morreu em 1994. Uns anos mais tarde, Elly entregou a casa que tinha na Holanda a uma instituição de solidariedade social e veio viver para a Madeira, a 3 de Fevereiro de 2002.

Investiu as poupanças numa casa com três quartos situada na rua do Rio de Janeiro 1 B, junto à Estrada Conde Carvalhal (próximo da padaria Mariazinha), no Funchal. Pagou 74 mil euros pela aquisição do imóvel e 15 mil euros pelo restauro. Abriu a casa ao mercado de arrendamento e acolheu um casal. Desde 14 de Agosto de 2011 que não recebe a prestação da renda: 200 euros mensais. E quanto mais a dívida soma valor - vai já em 5.200 euros - mais a dona fica na miséria.

O incumprimento surgiu ao mesmo tempo que iam desaparecendo bens de casa. Começou pelo cordão em ouro que Elly trouxe da Holanda e que pertencia à avó. Foram-se jóias avaliadas em 8 mil euros. Ficaram os dedos sem papel para contar.

Desde o último ano, foram-se as panelas pelas quais pagou 800 euros, o micro-ondas, o telefone, mesas, cadeiras. Diz que lhe furtaram tudo. Desde até a escadaria em madeira até à própria cadeira de rodas. A cadeira de rodas onde se senta pertence ao hospital e aluga-a por 32 euros/mês, explica, a soluçar.

Ao todo contabiliza 14 furtos, mas admite que apenas por duas ocasiões comunicou-os à PSP. Uma das datas não esquece: 25 de Março de 2012. Desolada, a mulher só encontra uma razão para isto: xenofobia e discriminação racial.

Apesar da situação dramática em que está mergulhada, a cidadã holandesa não tem qualquer apoio da Segurança Social e são os vizinhos que lhe prestam todo o auxílio possível. O homem do talho da rua Conde de Carvalhal, por exemplo, que lhe leva a comida a casa.

Fonte e Foto: DNoticias

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