Dono do polémico Made In Correeiros ameaça restaurantes da zona e clientes

Não quero falar sobre isso.” “Abstenho-me, não comento.” “Não tenho nada a dizer”. A maioria dos responsáveis pelos restaurantes à volta do Made In Correeiros, na Baixa de Lisboa, não quer falar sobre as recentes notícias de alegadas burlas aos clientes daquele espaço. As mistas de marisco a 250€, os pratos de carne a 100€ ou bacalhau a 120€ têm lançado o caos nas caixas de comentários das redes sociais, com fotos de faturas dos clientes, comentários negativos nas plataformas de críticas, como a Zomato e o TripAdvisor, e até referências a processos sem consequências legais levantados pela DECO e ASAE.


A NiT passou pela Rua dos Correeiros e percebeu que existe realmente um clima de medo na zona. Grande parte dos gerentes e empregados dos restaurantes vizinhos, tanto nesta rua como nas mais próximas, recusou-se a falar com o nosso repórter assim que percebeu que o tema era o Made In Correeiros. O motivo foi sempre o mesmo: medo de represálias. A única exceção foi o responsável por um restaurante da Baixa da cidade que — depois de pedir para não ser identificado — garantiu que o maior culpado deste clima é o próprio dono do Made In Correeiros.

´“A culpa dos preços e da forma como as pessoas são tratadas deve-se ao sócio que eles têm. Ele ameaça não só os clientes, como também os empresários aqui à volta”, explica.

Junto de uma fonte na Segurança Social, a NiT descobriu que a empresa Guardião do Tesouro (que detém os restaurantes Made in Correeiros e Obrigado Lisboa, que fica na mesma rua, e uma companhia de táxis, a Calculégua Táxis) pertence a José Manuel Cardoso — conhecido em Lisboa como Zé Taxista. 

O mesmo gerente conta à NiT que os empregados vão às esplanadas da concorrência para “roubar” clientes e que os “chamadores” vão até à Rua Augusta para convencer os turistas a visitar o Made in Correiros. Este apelo só deveria ser feito junto dos espaços. 

Muitos dos empresários não fazem nada porque não querem ter chatices com ele. Há três meses partiram a montra do restaurante mesmo ao lado”, acusa o gerente. 

Sobre a questão dos preços exorbitantes que surpreendem os turistas no final das refeições, a mesma fonte explica que “os clientes reclamam logo no espaço e muitos acabam por pagar com medo.” E acrescenta: “Este ano houve um que se recusou a pagar, chamou a polícia e até um foi algemado, mas não deu em nada.”

Fonte e Foto: NIT

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